Lourival Batista-Carmópolis-Petroleo
No dia treze de setembro de 1964, uma delegação, composta dos Deputados Nilo Coelho, Janary Nunes, Elias do Carmo, Unírio Machado, Wilson Falcão e Arnaldo Garcez, jornalistas e assessores, sob a Presidência do Deputado Bilac Pinto, participando dela como convidados o Dr. Plínio Cantanhede, Prefeito de Brasília, e Dr. Navarro de Brito, Subchefe do Gabinete Civil da Presidência da República, foi recebida em Aracaju pelo Presidente da PETROBRÁS, Marechal Ademar de Queiroz e do Doutor Geonísio Barroso, filho do nosso Estado e um dos mais ilustres técnicos em assuntos geológicos do País. Também lá se encontrava no Aeroporto o Governador Celso Carvalho, que se fazia acompanhar de vários auxiliares, o Desembargador Belmiro Góis, Presidente do Tribunal de Justiça, o Deputado Fernando Prado Leite, Presidente da Assembléia Legislativa, Desembargadores, Deputados, Prefeitos e Vereadores, representantes de entidades de classe, além da gente simples, ordeira e trabalhadora de Sergipe. Do Aeroporto, nos dirigimos para Carmópolis a fim de visitarmos a região onde a PETROBRÁS já realiza os seus trabalhos pioneiros. Durante a visita, os setores técnicos da PETROBRÁS forneceram a cada membro da nossa comitiva um elenco de informações sintetizadas em seis tópicos. Por ele ficamos sabendo que a primeira ocorrência de petróleo em Carmópolis, município que dista quarenta quilômetros de Aracaju, se deu em setembro do ano passado, com a perfuração do poço pioneiro CP-1-SE, o qual foi completado com o produtor de óleo na formação Muribeca, a uma profundidade de setecentos e cinqüenta metros. Até o momento, conforme o informe da PETROBRÁS, dez poços já foram perfurados no campo de Carmópolis, resultando nove produtores de óleo e um seco. Presentemente, quatro sondas encontram-se em atividade no campo, procurando definir seus limites. Prevê-se, diz a PETROBRÁS, a delimitação completa do campo até o fim deste ano. O programa de trabalho lembrado para esta região é constituído do período de delimitação, seguido de outro de desenvolvimento. Para a primeira fase, tem-se programada a perfuração de mais três poços, prevendo-se seu término em fins do próximo mês de dezembro. O desenvolvimento das pesquisas se dará a partir de janeiro do ano vindouro, inicialmente com duas sondas, acrescidas de mais três sondas em julho. Oitenta poços estão programados para perfuração e desenvolvimento em 1965, os quais possibilitarão uma produção de 2.700 metros cúbicos diários a partir de janeiro de 1966. Desejo apelar para o eminente Presidente Castello Branco, no sentido de que o Governo proporcione a colaboração indispensável ao rápido seguimento dos trabalhos da PETROBRÁS. Segundo o informe da PETROBRÁS, cinco serão as providências: 1) liberação das terras para desenvolvimento do campo e para a construção das facilidades necessárias à produção; 2) necessidade de conclusão da Rodovia BR-11 entre Aracaju e Carmópolis; 3) construção de um sistema para escoamento do óleo produzido, um oleoduto de 60 km e um terminal marítimo; 4) terminal ferroviário em Carmópolis a fim de permitir o escoamento de óleo durante a fase inicial de produção; 5) melhoria da rodovia Salvador–Aracaju. Além disto, lembro ao Chefe do Governo que se torna necessário atacar, simultaneamente, os trechos Norte e Sul da Rodovia BR-11, de modo que ela se torne o natural escoadouro de tudo que vier a se colher na região de Carmópolis. Confio no interesse do Presidente Castelo Branco em promover medidas para que essa fonte de riqueza do País tenha sua produção iniciada em prazo curto. Com isto, Sergipe estará dando ao Brasil contribuição inestimável, fruto da riqueza de seu subsolo. Por fim, quero apresentar a todos quantos foram a Sergipe o nosso agradecimento mais profundo. Desta forma, meu reconhecimento também se estende às autoridades do Ministério da Aeronáutica através dos Coronéis Müller Botelho e Waldir Lopes e Capitão Hilton Pedro de Farias, pelas providências tomadas junto ao Ministério da Aeronáutica para a cessão de uma aeronave que possibilitou a visita da comitiva a Sergipe, a toda a tripulação do AVRO, comandado pelo Coronel Alberto Bins Neto e Capitão Jorge Frederico Bins, que tudo fizeram a fim de que fôssemos atendidos da melhor maneira, ao Governador Celso Carvalho que dispensou à Comitiva toda a assistência necessária e, por fim ao Marechal Adhemar de Queiroz, ao Dr. Geonisio Barroso, que foram incansáveis conosco, diretamente ou através de seus auxiliares, esclarecendo a todos uma gama imensa de pormenores que cercam a exploração do petróleo. (Muito bem!)
O SR. LOURIVAL BAPTISTA (lê a seguinte comunicação.): – Sr. Presidente, Srs. Deputados, a cada dia que passa, mais se avoluma a certeza do contingente de riquezas minerais da região de Carmópolis, no Estado de Sergipe. Inicialmente, os técnicos da PETROBRAS pesquisaram, séria e duramente, por muito tempo, a ocorrência de petróleo naquela área. Depois de localizado um grande lençol do ouro negro, eis que os mesmos técnicos têm confirmada outra certeza de que Carmópolis também tinha carnalita e sal-gema em alta escala. A verdade sobre o assunto poderá vir a ser explicada em palavras claras, sem interesses subliminares e demonstrada em dados para o que o povo brasileiro possa saber o que ocorre em uma das faixas de riquezas fundamentais para o nosso processo de desenvolvimento econômico. Em outubro de 1961, setores técnicos da PETROBRÁS procederam a estudos no âmbito geológico em Carmópolis, completados, pouco depois, por trabalhos geofísicos, podendo localizarse, no segundo semestre de 1963, o poço inicial de Carmópolis, cuja estrutura foi indicada em uma área de trinta e cinco quilômetros quadrados e praticamente concluído em fins do ano passado. Desta forma, foi fácil saber-se o volume de óleo na região, propiciando estudos antecipados quanto à operação econômica que teriam de ser feitos quanto às perfurações complementares e o escoamento do petróleo. Disto se inferiu que Carmópolis registrava cerca de 206 milhões de metros cúbicos de óleo, dos quais, no mínimo, vinte milhões serão recuperados. Até o fim do corrente ano, quase cem poços deverão ser abertos no campo daquela área sergipana, sendo bombeados à base de trinta mil metros cúbicos por dia, já que se encontram três bombas-sondas em trabalho e duas outras em montagem, cujo funcionamento se dará, provavelmente, ainda no correr deste mês de maio. No campo de Carmópolis já foram perfurados 24 poços e já foram aprovadas 172 locações de desenvolvimento. Dos poços perfurados, 19 revelaram-se produtores de óleo e gás. À proporção em que se intensificavam os trabalhos de pesquisa na área de Carmópolis, mais se manifestava entre os técnicos o sentimento generalizado da presença, ali, de carnalita – sais de potássio. Procedendo-se a análises do testemunho do poço CP20-D-SE, essa presença foi, realmente positivada. No momento, a PETROBRÁS está interpretando o relatório das análises feitas pelo Instituto Nacional de Tecnologia e que confirmam, plenamente, a descoberta. Em função de elementos previamente selecionados, pode-se informar que considerando um raio de 200 metros em torno do CP-20, estima-se que exista uma reserva provada de 11 milhões de toneladas. Fator de grande significação é a profundidade em que a carnalita é encontrada: 547 até 613 metros. Ao mesmo tempo foi comprovada a existência de sal-gema, não apenas no poço acima mencionado, mas também em outros do campo de Carmópolis. As estimativas até então feitas sobre essa nova riqueza provam uma reserva aproximada de 8 bilhões de toneladas. Amplas são as perspectivas para aumento dos volumes de ambas as jazidas. Sabemos que a PETROBRÁS já pleiteou perante os órgãos competentes a integração destas riquezas – por ela descobertas após anos e anos de trabalho e mediante vultosíssimos investimentos – no seu patrimônio que, quanto mais enriquecido for, de maiores recursos disporá para preencher as finalidades especificadas da Lei nº 2.004, que a Nação Brasileira considera básica para redenção da sua economia em desenvolvimento. Acredito, Senhor Presidente, que a nova orientação que preside as atividades da PETROBRÁS permitirá a essa grande empresa, hoje sob a direção do Marechal Adhemar de Queiroz, cumprir suas altas finalidades e atender aos legítimos anseios do povo brasileiro. (Muito bem!) MINÉRIO RARO, UMA BOA-NOVA EM SERGIPE Aproveitando as perfurações que estão sendo feitas em Sergipe pela PETROBRÁS, o Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), associado ao Governo do Estado, recolhendo material encontrado a 1.300 metros de profundidade, identificou quatro minerais de bom aproveitamento industrial: a silvinita, a tachidrita, a halita e a carnalita. As pesquisas realizadas pelo DNPM fazem parte do Projeto Potássio, criado por decreto presidencial. Amostras dos minerais, que estão sendo pesquisados, foram entregues pessoalmente pelo Governador Lourival Baptista ao Presidente Costa e Silva. Eles foram encontrados na área de Miranda e Vassouras (onde foram perfurados quatorze poços pela PETROBRÁS) e em Santa Rosa de Lima e Siriri (onde a PETROBRÁS perfurou cinco poços). Um por um – A silvinita é uma mistura de silvita e halita (sal de cozinha). É um dos minerais mais importantes do potássio, explorado no mundo inteiro para o fabrico de fertilizantes. Ela foi encontrada em camadas que variavam de 5 a 17 metros e à profundidade que iam de 320 a 1.300 metros. A reserva estimada é de centenas de milhões de toneladas, o que permitiria sua exploração por um período de sessenta anos, acionando uma usina de capacidade de produção de 500 mil toneladas de KCL – cloreto de potássio puro. Logo abaixo da camada de silvinita foi encontrada a tachidrita. A tachidrita, uma associação de cloreto de potássio, cloreto de magnésio e doze moléculas de água, é um mineral raríssimo, só encontrado (além de Sergipe) no Congo Belga. A reserva de tachidrita atinge a bilhões de toneladas. Em virtude do desconhecimento da tecnologia de aproveitamento, as amostras de tachidrita foram enviadas ao Batelle Memorial Institute de Columbia, ao Hazem Research de Denver e ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo. Foram descobertas também reservas de carnalita (mineral de potássio), que também ainda hoje não tem aproveitamento industrial, mas o DNPM mantém intensa correspondência com os institutos de pesquisas do mundo inteiro esperando os resultados de estudos que prevêem seu aproveitamento tecnológico.
Fonte: https://www.senado.leg.br/publicacoes/anais/pdf/Anais_Republica/1972/1972%20Livro%206.pdf
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